quarta-feira, 10 de abril de 2013

Fazendo a Festa. #Dicas

Princesa Ana fez 10 =)
Parece que foi outro dia... tá nem tão perto assim, mas convenhamos que 10 anos é um marco! E ainda da primogênita, tô velha!  emocionada.
Comemoração simples, avós e as amiguinhas dela.
Papel, tesoura, cola, reciclagem e tempo. Assim resumo a preparação da decoração.
Para você que tá pesquisando e elaborando a festa da filho (o) a dica inicial é: escolha o tema!
No meu caso: Scrapbook! Poderia ser personagens, qualquer coisa simples que você imprime da internet, aluga...mas pra que simplificar se podemos complicar elaborar!

Fui correr atrás da "estampa" principal e achei um papel de scrap que me apaixonei. Fundo de botões, lindo e bem o que a aniversariante estava querendo.
Bolei o convite, o logo/tema do aniversário (que o marido desenhou, claro!), desenhei no papel a mesa do parabéns, a disposição do que queria, fiz um check list para não perder o costume e comecei.
Dica importante: Faça o tema da festa de modo simples, que possa ser reproduzido no convite, nas tags e na decoração de um modo geral. Faça um check list de tudo o que precisará providenciar e calcule seu tempo para cada coisa.

Comprei botões, peguei potes de vidro, caixa de papelão, retalho de feltro, tecidos, comprei alguns papéis de seda e voilá! Decoração pronta.
O próximo passo (dica) foi reaproveitar o suporte de cupcakes, uma bandeja esquecida, e alguns recepientes do dia-a-dia, colocando o mesmo papel do convite e personalizando tudo! Fácil, barato e bonito.

Na hora de fazer os doces a dica principal é tempo! Faça com antecedência para não ficar dias lambendo colher de leite condensado e estressada de tanto enrolar docinhos.
Base simples: Manteiga + Leite Condensado + os sabores.
Aqui fiz estes:
chocolate meio amargo + ao leite (barra, ralado, derretido no microondas e misturado na massa principal)
gelatina de morango coberto com chocolate ralado.
chocolate branco, ralado, derretido. Coberto com granulado colorido.
E o docinho da vez, popcake, que fiz com base de baunilha + beijinho, coberto no ganache de chocolate preto.
Assim, só coisa light mesmo!
Fui fazendo e congelando. Dica boa, coloque na forminha, prontinho e só tire no dia, 3 horas antes da festa.

Pra fechar, chamei a amiga prendada para fazer o bolo, de pasta americana, cheio de botões e carretel de linha comestíveis! Ficou perfeito e delicioso e de brinde veio cupcakes que a filha fez com todo amor e cobertura tradicional, buttercream.

Fora as gordices também pensei nas brincadeiras.
A dica é óbvia, faça algo que a aniversariante goste!
Preparei uma oficina de artes. Caixinhas de mdf, tinta lavável, papel, retalhos, cola, gliter e muita alegria. Todas as crianças ficaram horas entretidas, e alguns adultos (eu, claro!) pintaram o 7!
Fizemos uma pinhata, em formato de botão, para o final da festa e fechamos com chave de bolo =)

Deixo algumas fotos.
Qualquer dúvida, deixe no comentário.
Boa Festa =) DIVIRTAM-SE!









quarta-feira, 20 de março de 2013

Ritalina, Fluoxetina e psicoestimulantes para crianças.

Começou com um bate papo no FB e indicação de uma querida para o tema aqui no blog. (obrigada Carol =)
É que depois da reportagem do Fantástico o tema ficou aguçado nas redes :)

Devemos lembrar que cada criança tem suas peculiaridades e que o diagnóstico é clínico e baseado no cotidiano,  não existe um nivelamento numérico ou um marcador biológico  para o comportamento, do tipo: levantar da carteira escolar até 5 vezes é "normal", a 6ª é indicação pra Ritalina!
Impaciência e falta de concentração, em si, não são suficientes para indicação medicamentosa, como explica melhor o Dr. Drauzio Vallera aqui.
Porém existe um Consenso Internacional Médico concordando que o TDAH é um distúrbio neorobiológico, de causa genética e que geralmente permanece durante a vida toda.
Li há algum tempo o livro No mundo da Lua, de Paulo Mattos, perguntas e respostas para você conhecer melhor o assunto. Também tem o Mentes Inquietas, da Ana Beatriz Barbosa Silva, super instrutivo. Para quem quiser ler sobre o tema, fica a dica.
O site da  Associação Brasileira do Défict de Atenção é um ótimo lugar para você tirar suas dúvidas. Pode acessar clicando aqui.

Não tenho em casa ninguém que passou por este diagnóstico, não sei na minha pele o que é ou não dar psicoestimulantes para meus filhos. É necessário o diagnóstico feito por bons médicos e ter mais de uma opinião, já que o tratamento com o medicamento é uma decisão pessoal dos pais, não obrigatória.
Aqui no link do site do Instituto Paulista de Déficit de Atenção alguns especialistas respondem aos questionamentos básicos.

Creio que nós, mães, devemos ampliar nosso conhecimento específico de acordo com a demanda. Ler casos clínicos de pessoas que tomaram e dos que não, procurar falar com neuros, psiquiatras e mães que vivenciam diariamente este assunto e não ter medo de enfrentar nossa realidade, seja qual for. Fingir que nada está acontecendo não resolve, mesmo na dificuldade.
Mesmo com muita informação devemos lembrar que, não estamos aptas para diagnosticar ninguém.

Não sou à favor da banalização do diagnóstico e da rotulação! Preguiça de professor com aluno mais "ligado" não é indicativo de qualquer déficit.
Escola sem preparo e sem acompanhamento de psicólogos não é desculpa para indicação incoerente.
Negligência de mães por não aceitarem déficits de seus filhos, prejudicando o seu futuro e limitando suas escolhas no amanhã, não muda a realidade dos fatos.

Assim como o TDAH outro diagnóstico polêmico são os relacionados ao Transtorno de Ansiedade, afetando 10% das nossas crianças, com uma abrangência enorme de Transtornos específicos, como o transtorno de ansiedade de separação, social, pânico e outros.
Aqui você pode ler um artigo da Associação Brasileira de Psiquiatria, bem técnico e muito esclarecedor.
Dependendo do nível de ansiedade a indicação será para psiquiatria, o fluoxetina mencionado no título foi apenas uma citação, um dos mais comuns para crianças, mas existem vários outros componentes farmoquímicos disponíveis, a indicação vai depender da avaliação médica.

Também da Ana Beatriz, o livro Mentes Ansiosas é ótimo. Faz parte da biblioteca aqui de casa e indico.
Com um texto mais técnico, alguns autotestes e leitura ótima é o livro Livre de Ansiedade, do Leahy Robert L. Pra quem quiser ler e conhecer mais o tema, eis a dica!

Para ambos os casos, a psicoterapia é ótima ferramenta! Para crianças com os transtornos e seus pais, envolvidos diretamente.

Se você estiver passando por algo assim, não duvide, busque ajuda, mantenha a Fé e força!
Tudo na nossa vida são fases, mas o tempo por si só não cura, não melhora e não resolve as fases difíceis, por mais que nos sintamos impotentes quando envolvidos nestas situações, devemos agir.
Logo você estará mais forte e mais preparada e esta fase terá passado.

Espero ter colaborado, de alguma forma.


terça-feira, 19 de março de 2013

Profissão, Mãe

Recebi uma atividade para fazer com minha filha caçula, 4 anos, com o seguinte título:

"Mamãe, escreva sobre sua profissão e nos envie uma foto de seu instrumento de trabalho."
Enviei o seguinte:

Podemos entender como profissão o trabalho ou atividade exercido na sociedade. Algumas profissões requerem conhecimentos e estudos, outras habilidades e algumas ambas as coisas!
No caso de mãe, tudo isso e um pouco mais. O que fazemos influencia diretamente e molda a sociedade como um todo.
É preciso ir atrás de conhecimento e treinar nossas habilidades, aplicando diariamente novas formas de fazer o velho, de um jeito melhor e personalizado!
Sim, isso por que cada filho requer algo específico, não é o tipo de "treinamento" padrão.
Temos que escutar, dedicar longas horas de conversa para passar nosso melhor lado, nossos valores, fé, princípios e tato, muito tato! O que se transforma em nossa principal ferramenta de trabalho: carinho em forma de beijos, abraços, ouvidos, mãos e um amor eterno.

Segue foto de meu principal instrumento de trabalho, com minha pequena filha Sara.





sexta-feira, 8 de março de 2013

Inclusão Escolar

Amei ter visto o  Hang Out que rolou esta semana: "Inclusão escolar, sonho ou realidade" e conhecer histórias de famílias felizes,  mesmo com as dificuldades.
Muita coisa é bem distante da minha realidade como mãe de 03, mas me identifiquei em várias outras como por exemplo a integração entre os irmãos, o acompanhamento intenso dos pais nos estudos e até mesmo a cobrança para com a escola por uma inclusão melhor.

Não tenho filhos portadores de necessidades especiais e não sei o que é lutar de fato por esta inclusão, por estrutura física e capacitação de profissionais que entendam o desenvolvimento cognitivo, físico e psíquico, que saibam lidar e incluír o aluno especial no contexto do aluno não portador de qualquer necessidade especial. Não, não sei o que é isso. Mas como mãe sei o que é ter participação ativa na escola (instituição) e na vida escolar de meus filhos, o que é ter que deixar tudo por um tempo e se dedicar na formação das vidas mais importantes que temos, com um olhar muito mais abrangente que grade curricular, considerando  os valores passados em sala de aula, o senso de cidadania da escola e a sensibilidade (ou falta dela) do professor.

Constatei, por minha experiência, que falta inclusão de massa, do básico.
Inclusão do gordinho, do bravinho, da altona e de tantos outro rótulos que surgem da própria escola, em sala de aula, do próprio professor que exclui alguns e cria nichos dividindo a classe.
Situação esta que venho acompanhando de perto e vivendo na pele de mãe. Professor rotula aluno, causa constrangimento em classe e provoca reação infantil e imatura (ups!) de uma criança (redundância!?).

Sonho com inclusão escolar para todos. 
Para que os portadores de necessidades especiais tenham lugar apropriado para o estudo, aprendizado e desenvolvimento social encontrando na instituição boa estrutura e bom coração.
Falta tato nos formadores de opinão, nos líderes de escola e no governo para criar harmonia e sinergia.

Esta tem sido minha experiência. Torço para que a sua seja melhor.


sexta-feira, 1 de março de 2013

Platão estava certo!

Estava longe e por perto, sem postar por alguns meses mas na blogosfera.

Nestes meses de navegante, lendo algumas publicações, relatos e desabafos vi o quão latente é a busca pelo equilíbrio da mãe e mulher em cada uma de nós.
Carreira e cuidados. O eu, você e nós.
São escolhas diárias entre o que queremos fazer, o que precisa ser feito e o que é (ou deveria ser) inegociável. 
Parece que a "fórmula" está na dosagem de cada faceta que existe em nós. Mulher, Mãe, Profissional, Amiga, etc....etc...
Já dizia o filósofo Platão: 

"A saúde é o resultado do equilíbrio das partes na sua relação com o todo"

Concordo com ele, o equilíbrio gera saúde. Os extremos adoece.
Neste pensamento de cuidados com você mesma, com seus filhos, família, carreira, conhecimento interno e externo, sociedade, coletivo é que volto nas postagens de 2013.

Fique por perto :)
Bjo
Dri Souto




sexta-feira, 19 de outubro de 2012

#semtrabalhoinfantil

Super feliz pelo convite para a BC! Assuntos relacionados com a infância me mobilizam e poder dar esta pequena colaboração é um prazer! Valeu Sam e Aline pela lembrança e convite!

No começo do ano passado participei de um trabalho voluntário no Vale do Jequitinhonha. Fomos em algumas cidades e depois de andar bastante tínhamos uma missão especial. Iríamos visitar uma pequena cidade, de três ou quatro ruas, aonde todos trabalhavam com cerâmica.
O pó que o carro levantou ao entrar na rua principal, chamou atenção dos que estavam por perto.
Uma paisagem cinza. Terra seca. Pequenas casinhas cobertas com uma mistura feita de pedras, feno/palhas e esterco. O fogão pra fora da casa, o cachorro e galinha andando pelos diferentes "cantos" da cidade foi a paisagem que nos deu boas vindas.
Na primeira casa que entro (sem nada dentro) vejo algumas crianças sentadas no chão, com martelos nas mãos quebrando pedras para fazer o pó da cerâmica, típica da região.
Sem camiseta, só com uma bermuda e um olhar bastante sério. Um silêncio de risadas e brincadeiras, não se tinha o som infantil tão familiar aos meus ouvidos, escutávamos apenas o martelar!
Os pequenos continuavam o trabalho, seriamente. Eu fui logo para o fundo da casa, havia uma pequena porta e caminhei tentando sair antes que eles percebessem minhas lágrimas!
Engoli o choro e fui conversar com os pequenos habitantes, passar um tempo enriquecedor com aquelas crianças tão "adultas", tão carentes, tão solidárias, tão esquecidas...
Nesta cidade não havia escola, pequenos mercados, posto de saúde, farmácia. Nada! Havia apenas uma igreja, o que deixava muito claro que a força daquela gente vinha da Fé!
Um ônibus passava na rodovia 1 vez ao dia, 3 vezes por semana, para levar as pessoas para uma cidade maior. Mas as crianças não iam estudar, nem mesmo subiam no ônibus para ir até a praça da "cidade grande" brincar!
O que vi foi mais ou menos como esta imagem:

















Isso me marcou e é um ponto que gostaria de abordar no debate. Pra mim, o que mais caracteriza o trabalho infantil no Brasil é a desigualdade social e cultural.
A Constituição Federal proíbe, abrindo pequenas exceções bastante específica para o "pequeno aprendiz", temos também o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tem a ratificação da Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho e tantas outras obrigatoriedades da Lei.
Já ouviu falar que "Na prática a Teoria é outra"? Na minha opinião é o que acontece em grande escala no nosso país.
Uma cultura e um hábito familiar que vai passando de geração em geração, de ir incluindo o filho e a filha no trabalho da família, no comércio de cerâmica da cidade, na roça, no balcão da padaria, no semáforo, nas esquinas.
Vezes com olhar de exploração, nítida e com toda a consciência que possui, sem pesares.
Outras com ar de orgulho, de missão cumprida por passar para o filho o conhecimento de mecânica (exemplificando) que este pai tinha e agora pertence ao pequeno Júnior da família.
Problema cultural, de aceitação e permissão de todos. Do que vende ao que compra.
Do que fala, propõe mudanças no governo ao que se cala. De todos nós!

Proponho a clareza de informações que em casos como os relatados acima só funcionam com soluções no café da manhã, almoço e jantar. Escolas públicas estruturadas. Postinho de saúde decente, emprego e conhecimento profissionalisante para este pai e mãe!
O que pode ser amplo e subjetivo de mais e resultar em nada. Afinal, isso não é coisa minha, é do governo. Certo!?
Errado!
É minha se eu estender minhas mãos e fazer minha parte, na medida da minha força e passar esta ideia pra os que me rodeiam (e a internet faz essa roda ficar gigante).
Aí o assunto vira nosso, é da nossa conta a criança da cidade, do meu bairro, da cidade vizinha. Sempre existe alguém que podemos ajudar.

E pra levantar um pouco a poeira, o que falar do trabalho infantil que dá méritos, status, muita grana e destaque na sociedade?
Esse pode? Esse a gente aceita, né! É legal! Cool!
Poucos questionam, são tão lindinhos e talentosos que é quase "natural" eles estarem lá na telinha, palcos e telona.
São crianças que recebem pressões, estão mudando o foco da infância, trocando valores, sofrendo estímulos desnecessários,  levando-os ao stress e desgaste emocional, psicológico.
É o outro lado da desigualdade Brasileira, o lado que faz muitos aplaudirem, que colocam "likes" e rotulam estes pequenos como sendo melhores, alvos, espelhos.
E o que eles estão refletindo?? Merchandising de empresas que estão nem aí pra situação infantil no Brasil. Que com o dinheiro gasto em um mês de anúncio no Carrosel ajudaria a mudar a realidade de muita gente.

O que temos construído?
Aceitam valores impostos pelo habitual sem questionar.
Compramos bala na rua, damos gorjeta, pagamos os impostos e pronto! Culpa do governo. Tô fazendo minha parte.
Contratamos o elenco do Carrosel pra festa de aniversário do filho, estoco fisher price em casa e lamento a dor da África. Afinal, tá tão longe!
E a criança da minha e da tua casa? Tem curtido a infância que ela tem direito a ter? Temos passado a simplicidade de estar com o outro, de curtir a vida, as pessoas e não as coisas? Temos lutado em casa pra diminuir a desigualdade ou usamos até o limite dos cartões de crédito só pra mostrar o que meus filhos podem ter e vestir?
Será que com nossas atitudes eles, nossos filhos, serão adultos que um dia vão se importar, ajudar e falar pra todos ouvirem: É DA MINHA CONTA!!

Eu digo não para todo trabalho infantil.
Digo não para a desigualdade social e me esforço para manter o foco no amor, que vem de Deus, passar o bem pros meus filhos e estender a mão ao próximo.
Pratico o desapego (sim...as vezes com dificuldade, porém praticado!) dos melhores brinquedos que eles já não usam, de uma quantidade de dinheiro e de tempo, para ajudar.
Tenho uma porção de falhas e posso melhorar muito ainda, espero não perder o foco e continuar espalhando o bem e o amor, apesar de mim.



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

'Antes que elas cresçam'


Antes que elas cresçam


"Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.

Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?

Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.

Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.

Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.

Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.

Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto. 

No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam."
Affonso Romano de Sant'Anna